sexta-feira, 11 de julho de 2014

Do livro OI, BICHO - por Jan

XVIII – RE-RE-RE-RECOMEÇO



Quando a Dan ainda estava por aqui, eu quis um cachorro pequeno para ficar no lugar dos gatos.
Sem grande entusiasmo, optei por um Lhasa Apso. Fui escolher entre vários filhotinhos. Havia um pretinho, bem menor do que os demais, olhando-me com simpatia e sempre com a ponta da linguinha fora da boca. Hoje penso que ele é "genérico"... mas não importa.
O Dog me cativou e me senti responsável por ele!
Eu o vi crescer dormindo ao lado da minha cama e, assim, pude ensiná-lo pessoalmente a ter bons modos e obedecer.
        Aquele pequenino ser, fez com que a vida recomeçasse mais uma vez dentro de mim, com alegria e afeto.
      Depois da morte da Dan, apenas o pequeno Dog era meu “ombro” companheiro e, então, apeguei-me a ele, fazendo crescer uma estreita relação entre nós. Ele se tornou meu novo amiguinho de todas as horas... o meu “pretinho básico”.



PRETINHO BÁSICO
Sou um cão e me chamam Dog. Acho que vim viver nesta casa para preencher o espaço deixado pelos gatos.  
Meu nome confirma que, apesar de ser pequenino e fofinho, eu não sou cat.
Coisas de humanos. Ignoremos este pequeno detalhe. Interessa mesmo é que sou indispensável, pois ninguém pode ignorar um “pretinho básico”.
Vivo muito bem aqui. Tenho casa, comida e roupa lavada. Vocês até podem estar pensando que cachorro não usa roupa. Mas eu uso sim. Uso meu “casaquinho de pele”, que é lavado semanalmente... comigo dentro dele.
Às vezes é aqui mesmo, na minha banheirinha e outras vezes, vou a um salão de beleza que os humanos chamam de Pet Shop. É meio chato ir lá, mas eu saio tão limpinho e bonito! Meu “casaquinho de pele” fica tão sedoso e macio! Faço um tipo de depilação chamada de Tosa Higiênica. Ainda bem que “mamãe” avisa para que não me ponham perfume: assim como qualquer cão tenho o faro aguçado e posso ficar estressado, sendo ‘perseguido’ por um cheiro estranho e irritante.


Logo a seguir, comecei a sentir falta de um cachorro grande, lá fora na escuridão...
Num sábado, sem razão aparente, decidi que aquele seria o dia: fui a uma feira onde se vendiam filhotes, sem saber de que raça seria meu novo cachorro. Só sabia que seria de porte grande.
Lá chegando, lembrei-me de que eu costumava andar pelas cercanias do apartamento onde morava, passava pela mesma feira de filhotes e, eles me olhavam com simpatia e esperança estampadas nas carinhas fofas... E eu prometia a mim mesma que um dia levaria um daqueles.
Como sonhara um dia, eu estava ali para levar um “daqueles”. Circulei entre as gaiolinhas com filhotes e um deles me atraiu: era um boxer de dois meses de idade. Como qualquer filhote, ele era muito fofinho. Não me perdia de vista, sempre com aquela expressão de – “me leva pra sua casa”.
Trouxe-o comigo e ele farejou minuciosamente seu novo território. Dog o recepcionou, curioso e atento.
Dei-lhe um nome condizente com sua cor dourada: Leo... talvez eu quisesse que ele fosse meu leão particular, assustador e valente, mas carinhoso e dócil.
Leo foi crescendo e ficando desajeitado e babão... Gostamos um do outro e isto é evidente. É também evidente que o Leo está confortável aqui em casa.
Quando o Leo tinha uns quatro meses, senti necessidade de um adestramento profissional, pois ele foi ficando difícil de controlar.
Contratei então, uma adestradora e algumas semanas depois ele foi se transformando nesse "gentledog" que é atualmente.
Escrevi para ele.

 AO GRANDÃO NECESSÁRIO
Lembra quando nos conhecemos? Foi num sábado à tarde... Olhamo-nos e foi amor à primeira vista, pois logo viemos para a minha casa.
Você até vomitou no caminho... Lembra? Mas eu não me importei, pois afinal, você tinha apenas dois meses de vida.
E você foi crescendo rapidamente: as pernas compridas; os olhos suplicantes e amorosos, sempre a me procurar com ansiedade; o focinho frio aquecendo a minha alma; seus lambeijos babados temperando meus dias.
Tudo fez com que eu me apaixonasse mais ainda por você a cada novo dia que passávamos juntos.
Quando você chegou, já encontrou um “irmão” mais velho, mas logo ficou maior do que ele.
Depois veio uma “irmãzinha”, que agora é adolescente... quanto trabalho essa “mocinha” dá, hein?!
E você me ajuda muito com ela, suportando brincadeiras de cachorrinho novo e corrigindo-a quando necessário. 
Por último chegou aquele “irmão”, já grandinho e com mais idade até do que seu “irmão” mais velho, querendo disputar a liderança...
É cada vez mais admirável seu porte, sua musculatura rígida, seu pelo dourado, seu olhar meigo, seu bom-senso natural, sua obediência  incomum!
Aprendi que o nome da sua raça provém do uso instintivo das patas dianteiras. Você pula... de alegria, de ansiedade, como defesa... uma patada  sua, nem precisa de luva de box... mas sei que você não vai pular defensivamente em mim, pois sou sua protegida e “chefa”.
Seu latido grave e forte no portão é garantia de sono tranquilo, pois sua simples presença grandiosa inibe qualquer possível invasor e não permite entrever sua docilidade, nem seu amor incondicional e nem que você ainda pede aquele seu “paninho fedorento”...
     Pena que cortaram seu rabinho! Deve ter doído um bocado, né garotão? Acredito que você já esqueceu aquela dor. Mas você se lembra de ter tomado chá de camomila, né amigão?
Sei que você se lembra, pois um dia a cuidadora esqueceu uma xícara com chá, e quando voltou buscar, você tinha tomado tudo e foi se deitar todo faceiro lambendo os beiços e com cheiro de camomila na boca;-)

E assim, recomecei... com um "de dentro" e um "de fora"...

5 comentários:

  1. Jan,que comoventes as histórias de seus cachorros! São todos lindos,muito fofos e dá pra entender seu amor por eles! Bjs,

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  2. Oi Jan, boa noite :)
    Eu gostei do Leo,
    mas o seu 'pretinho básico' é uma simpatia!!
    Amei ler seu relato emocionante sobre seus dois amiguinhos.
    Bjs!

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  3. Oi Jan, que linda amizade.
    Me emocionei.

    Abraços

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  4. Ai Jan, que lindo!!!! Amei ler o modo como escreveu sobre seus amores peludos...
    rsrs o "paninho fedorento", o chá de camomila, o pretinho básico de casaquinho rsrsrs. Quanto amor, é impossível olhar dentro desses olhinhos e não sentir o coração pulsar. Os focinhos geladinhos, os lambeijos de amor... Também não sabia que o boxer tinha esse nome devido às características que descreveu, interessante.
    Adorei ler sua postagem.
    Um lambeijo em cada fuça e um dia maravilhoso pra vc, com seus aumigos.

    Abração.

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  5. Olá, amigos!
    Vocês nem imaginam quanto meus "amores peludos" me ajudam a viver a luta de cada dia...
    Quanto ao Leo, dizem que ele é "mimado". Na verdade, todos são respeitados e bem tratados. Mas, nada impede que o Leo (54 kg de músculos), faça a guarda da casa (é instinto...).
    O Dog é um fofo \o/ e adora um colinho... mas nem por isso deixa de ser cachorro.

    Quanto a mim, sou muito respeitada e protegida por eles e, estou especialmente feliz por ter encontrado 'eco' nos amigos.

    Abrações :)
    Jan

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