terça-feira, 17 de junho de 2014

AJUDA P'RÁ CACHORRO - mais um capítulo do livro OI, BICHO! - Jan

XIII – AJUDA P’RA CACHORRO!


 A Mine tinha dois anos, quando houve um incêndio na minha casa, no qual o fogo ficou restrito à área próxima ao canil onde a cachorra quase morreu queimada.
Ficou traumatizada, porém continuou perfeitamente capaz de exercer suas funções, exceto quando, durante a noite, anunciava-se uma tempestade, pois a luminosidade dos raios a deixava  apavorada e ela pedia socorro arranhando, com a pata, a janela do meu quarto...
Causava-me uma estranha e quase agradável emoção ver uma cadela tão grande e forte pedindo socorro a uma pessoa que nem consegue ficar em pé...
Logo depois, uma médica veterinária aconselhou-me a criar outra “feminha” da mesma raça e recomendou que eu a adquirisse logo ao nascer, para que a Mine a considerasse sua filha. Ainda, ficou combinado que adotaríamos outra medida especial para evitar que viessem a brigar pelo mesmo espaço e assim, passados alguns meses, ambas foram esterilizadas.
A pequena Dan viera com trinta dias de idade. A Mine estava a postos para recebê-la e eu quase não acreditava que aquele pequenino pompom ambulante fosse ficar tão forte e valente quanto a Mine.
E ficou! O mesmo porte elegante, o mesmo rabo enrolado sobre o dorso, a mesma carinha enganadoramente doce, além da mesma confiabilidade e confiança.
As "minhas meninas"!
 Fiquei entusiasmada, pois apesar de haver tido experiência com diversos bichos, todos pertenciam a outras pessoas, mas aquelas cadelas eram minhas e eu podia sentir que era a pessoa mais importante do mundo para elas.
A Dan tinha o andar leve e muito elegante. Era lindíssima e muito alegre. Mas, logo apresentou uma doença implacável, e me foi dito que ela teria o tempo de vida bastante reduzido.
Uma noite, tive um sonho...

NA PASSARELA

Logo que nasceu, ela se destacou na ninhada onde todos os filhotes eram macios, quentinhos e fofinhos. Com trinta dias de vida ela foi escolhida por um humano e ganhou um nome. Conforme crescia, foi ficando elegante, além de continuar afetiva e brincalhona. Os olhos amendoados pareciam estar sempre maquiados com delineador preto. O andar rebolante e leve fazia parecer que ela sempre usava salto alto.
Preparam-na para desfilar e Estrela sentia-se muito à vontade nas passarelas, ouvindo aplausos. Com ar de “eu sou mais eu”, misturado àquele ar de indiferença do tipo “tô nem aí”, pensava consigo mesma:
       —“Nasci predestinada a estar aqui e aqui estou: sou um belo exemplar da minha raça e mereço os prêmios que ganho. Sei que quem leva a fama é o humano que cuida de mim, mas também sei que é uma maneira de “pagar a conta”, pois afinal os humanos me escovam, me dão comida, mantêm o meu território limpo, etc. E, para completar, um humano me conduz através das passarelas. O homem deve ser o melhor amigo do cão...”.
       Certa vez, ao terminar um desfile e enquanto aguardava pela premiação, o olhar de Estrela cruzou com o de um macho. O coração bateu forte e o instinto gritou alto, avisando que ali estava seu próximo companheiro.
Depois do rápido “namoro”, deu-se a união.
Semanas se passaram e Estrela podia sentir que seria mamãe. Sua faceirice aumentava na mesma medida da sua barriga.
Uma noite, Estrela pariu sua primeira ninhada, que ela defendia com unhas e dentes. Principalmente com os dentes!
Os olhos amendoados de Estrela se enchiam de meiguice ao sentir os filhotes se aproximarem buscando comida e abrigo junto ao seu corpo demãe. Eram todos macios, quentinhos e fofinhos.
Passou-se algum tempo.
Estrela acompanhava o desenvolvimento rápido de cada um dos filhotes e sabia que devia deixá-los ir, pois já não precisava mais usar os dentes para defendê-los: eles já tinham seus próprios dentes e se defenderiam.

      Estrela sentia-se uma estrela. 

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