quarta-feira, 25 de junho de 2014

TCHAU, TOM! mais um capítulo do livro OI,BICHO! - Jan

XV – TCHAU,TOM!

Como já noticiei aqui, o gato Tom viveu comigo, confiava em mim, mas eu não era a proprietária dele. Eu era só “a mamãe”.
O Tom passeava desacompanhado pelo condomínio e às vezes, entrava em alguma casa, “puxava uma cadeira e pedia um cafezinho” rsrsrsrs.
Embora ele não costumasse roubar comida, nem arranhar nada nem ninguém e ser bem educado, era gato. Obviamente, alguns vizinhos não gostavam daquela atitude “libertária”, pois infelizmente, grande parte dos humanos não aceita o comportamento independente dos gatos.
Numa manhã, aconteceu um fato, para o qual eu não me preparara.
Fiz uma espécie de catarse, quando escrevi o texto a seguir:
 SETE VIDAS

 Era começo de verão e o dia surgiu claro e ensolarado. Abriu-se a casa.
Tom pulou da cama onde passara a noite e correu para a janela da sala de jantar como fazia diariamente. Sobre o aparador colocado frente à janela, miou cansativamente.
Apesar de ter sido criado dentro de casa, ser muito dócil, ter sido muito bem educado e não ser mais um “Dom Juan” (graças a uma intervenção cirúrgica simples e barata...), o gato Tom tinha e terá enquanto viver, acentuado instinto caçador: fica alucinado para caçar os passarinhos que abundam na região onde vivemos.
Quando passou a ser exageradamente policiado, cada miado do Tom diante dos passarinhos que pareciam provocá-lo, voando e cantando do outro lado da tela que o impedia de pular a janela, queria gritar:
—“Respeitem a minha natureza... a Natureza pode ser irracional e passiva, mas é sábia.".
Os animais irracionais são responsabilidade dos humanos racionais e, para um gato com instinto caçador muito forte, pensei ser mais importante "lá fora" do que "aqui dentro".
E o gato Tom foi doado. Ou melhor, foi devolvido: sendo já um gato adulto, ele poderia dormir fora da casa e os contatos com sua nova e alérgica “mamãe” seriam esporádicos e indiretos.
É tranqüilizador saber que o Tom continua sendo bem cuidado e, o que é muito importante, saiu daqui levando: a caminha; as tigelinhas onde come e bebe; e, demais objetos de uso diário. Adaptou-se à nova família humana, que mora num lugar onde pode caçar a vontade e onde tem bastante areia limpa.
Deixou uma saudade enorme e várias lições de vida. E, porque os gatos são meio filósofos, o Tom é portador de um motivo para refletirmos:
Os gatos se dão cuidado, amor e respeito... Talvez seja por isto que se diz que eles tem "sete vidas".

O jovem Tom ensinou que: só podemos dar aquilo que temos; que sempre teremos alegria de viver, pois basta procurá-la em nós mesmos; e, que devemos experimentar por inteiro a vida como ela se nos oferece, mas sempre reservando-nos o direito de nos manifestarmos, caso nos sintamos desconfortáveis.
Tom viveu feliz no novo lar, pois se afeiçoou a todos os humanos dali e todos se afeiçoaram a ele. Eu sempre recebia notícias detalhadas sobre ele, assim como fotos pela internet, dele brincando bem feliz e despreocupado.
Passados seis meses, recebi uma notícia bem desagradável:
—“O Tom desapareceu... ”.
       Questiono se ele teria tentado voltar e está perdido pelas ruas ou se foi roubado e está bem...

Um comentário:

  1. Ai Jan,que triste ele ter sumido! Eu já tive um gatinho que desapareceu tb...a gente nunca esquece,não é verdade? Linda historinha do Tom! bjs,

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