sexta-feira, 9 de maio de 2014

SAPOS - do livro OI, BICHO! - Jan

II -SAPOS



Os sapos marcaram indelevelmente minha vida, fato que permaneceu ignorado por mim durante décadas.
Depois do jantar, costumávamos ir à casa de uma tia, que era nossa vizinha. Ali, havia um grande terraço para o qual o calor excessivo, aliado às luzes acesas, atraia insetos.
Sapos vinham “jantar”... Eram muitos sapos. Os adultos avisavam às crianças, que “xixi de sapo cega” e, então, eu nem me aproximava deles.
Mesmo assim, eles estavam ali e eu os via escolher um bichinho, espichar a língua comprida e nojenta, e então engolir a presa. Ver a cena era desagradável. Cresci vendo nos sapos apenas um predador feio e mau, tão mau a ponto de cegar um ser humano!
Fato é que nunca consegui acreditar em príncipe encantado. Tampouco tive inspiração para escrever historinhas de sapo.

Há pouco tempo, uma amiga que vive lá em Portugal, remeteu-me, por e-mail, uma poesia.

Tanto que eu não disse...

Era tanto o que eu não disse...
tanta palavra abafada...
Medo de dizer tolice
ou, talvez, ressabiada.
Era tanto o que eu não disse...
emudecida, engasgada...
E sempre aquela mesmice
que engoli, boca fechada.
Tantos anos se passaram,
tão pouco que os colorisse.
Defeitos me apregoaram
até chegar a velhice.
Agora, os sapos saltaram
e digo o que nunca disse!

Laura B. Martins
Soc. Port. Autores nº 20958
http://laurabmartins01.blogs.sapo.pt

         Senti-me motivada...
       Agora faço questão de registrar aqui,que sapos não são maus e não fazem ninguém ficar cego, apenas não são príncipes encantados.
      Na verdade, possuem um mecanismo de defesa instintivo e bastante criativo, como todas as obras da Mãe Natureza: Quando sentem-se ameaçados, os sapos excretam um líquido que causa danos aos olhos de quem os ameaça.
           

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