quinta-feira, 24 de abril de 2014

À SOMBRA DO CASARIO - texto garimpado na blogosfera - postado em http://escritosnamemoria.blogspot.com.br/2014/04/conto-interativo.html


  • Conto Interativo

    Oi Galera, escrevemos um conto a 4 mãos ali na comunidade que minha amiga Silvana Haddad criou.
    Achei legal colocar aqui também para vocês lerem e opinarem.

    Obrigada!

    À SOMBRA DO CASARIO


    Angella ainda permanecia hospedada em casa dos Freeman. Para ela ainda era conveniente porque sentia paz, pelo menos aparentemente.
    A casa ficava no alto da colina de Crowel, no sul da Escócia, e era ladeada pelo jardim mais lindo que já vira abraçado à fragrância de lírios e hortênsias que coloriam as manhãs, enquanto o sol inundava de verões a linda cidade encravada no condado de Seaground.
    A propriedade ostentava um lindo portão branco e fosco e a casa , construída no meio do terreno lhe conferia a magnitude dos castelos.
    O telhado era de um vermelho- terra e contrastava com as lajotas brancas que compunham as paredes externas.
    Aproveitando o ensejo, deveria terminar seu livro e voltar rapidamente ao Brasil, mas sua cabeça fervilhava depois do encontro com Joe, após dez anos. Em toda sua vida sonhara com aquele momento.
    Quando a noite revelava sua face azulada, Angella resolve ir até ao Little Bear Pub.
    Carne acebolada com batatas douradas seria ótima companheira para uma caneca de cerveja. Vestiu-se de anil saindo em seguida.
    No caminho seus pensamentos a torturavam. Lembranças do acidente que perdera marido e filho assombravam seus olhos. A estrada era escura, mas por sorte logo avistara o luminoso alaranjado do pub.
    Caía uma chuva fina e morna, o que tornava a noite melancólica. Angella entrou rapidamente. O ambiente estava mergulhado em névoas de nicotina dando um tom bruxuleante nas arandelas que abrigavam cada mesa. Absorta em seus fantasmas ela avista os ombros bem torneados e fortes de Joe. A nuca morena, já com fios grisalhos revelava o charme desenfreado que ela nunca conseguira conter. Seu coração já aos pulos dava sinal de um desespero conhecido e inóspito.
    Lutando com a coragem resolveu aproximar-se dele...
    - boa noite!
    _ ... Hã... Olá, que surpresa vê-la aqui. Sente-se. O que vai beber?
    _ uma cerveja escura, por favor.
    _ Quer comer alguma coisa? Eles tem um ótimo rosbife por aqui que pode ser acompanhado de batatas e legumes. Divide comigo?
    ¬¬_ Boa pedida!
    (Lu Cavichioli)
    As palavras de Angella soaram surdas, abafadas. Respirou, então, muito fundo e seus pensamentos realmente não estavam presentes ali, naquele pub, face a face com Joe! E um rosbife era tudo que ela podia desejar, naquele momento meio conturbado para ela, e sentiu que mataria uma fome não apenas de seu físico, mas ainda enganaria consideravelmente sua fome de justiça.
    Olhou demoradamente para a caneca de cerveja, e seus pensamentos tumultuados acalmaram-se e voltou ao ambiente em que estava, observando tudo ao redor e não entendeu como não se apaixonara por esse homem de ombros largos e fortes!
    (Graça Lacerda)

    Talvez por estar envolvida demais com o esposo, e depois disso com a dor da perda. Sentindo-se mais calma, preparou-se para saborear o rosbife. A companhia também era inspiradora. Joe era a conexão que restava com seu passado. Eles haviam se conhecido quando o marido e o filho de Angella ainda estavam vivos. Foi ele quem a amparou quando a dor foi tão grande que ela mal conseguia ficar de pé, logo após o fatídico acidente. E era ele quem poderia ter as respostas que Angella precisava para que o coração dela pudesse sossegar. Ou pelo menos se acalmar um pouco mais. O desespero em ver Joe, vinha dali. Depois de dez anos. Dez anos solitários, que não diminuíram a dor da perda. E Joe estava ali, junto dela, saboreando um rosbife. Ele havia sido a última pessoa que falara com seu esposo antes do acidente. E talvez tivesse uma peça do quebra-cabeças que Angella não conseguia encaixar.
    (Marina Carla)

    Após alguns goles de cerveja, Angella sentia-se mais á vontade. Embora estivesse tão melancólica, quanto à noite lá fora...
    Havia tentado se preparar, durante 10 longos anos, para aquele reencontro. Pensara minuciosamente em como se portar, o que iria falar, quais respostas queria ouvir,... Entretanto, não tinha como controlar suas emoções e enrubesceu.
    Estava tão corada, quanto às batatas que o garçom acabava de servir e não tinha a mínima ideia em como iniciar a conversa que poderia trazer à tona a história do passado.
    Quais seriam os segredos que Joe sabia e havia guardado por 10 anos???
    Era exatamente isso que Angella gostaria de saber.
    E definitivamente, ela não iria embora de Seaground, sem as respostas.
    (Silvana Haddad)
    Após o jantar, Joe a convidou para um passeio já que a garoa havia dado lugar para as estrelas. Havia um grande jardim que ladeava o pub e ali Angella perguntou: _ Joe porque nunca mais se comunicou comigo? 
    Ele pigarreou, coçou a cabeça e com um sorriso triste lhe disse: _ Angella, eu a amo... Aliás sempre amei e você sabe disso. Naquela noite , antes do acidente, Carlo e eu tivemos uma discussão. 
    Ele soube que eu estava no Brasil e que iria vê-la... 
    Angella sentiu seu estomago revirar e uma leve tontura a fez quase desfalecer e Joe teve que segura-la. Então seus olhos se encontraram num turbilhão de sentimentos e ele ameaçou beija-la... Angella o empurrou dizendo:
    -Não me interessa teus sentimentos. O que disse a Carlo naquela noite?
    -Nada além do que eu e você já sabíamos...
    - Joe... Não me diga que... Não, você não seria capaz!
    Meio sem forças Angella sentou-se em um dos bancos do jardim, olhou para o céu e não pode conter as lágrimas.
    Joe se ajoelhou à sua frente, pegou em suas mãos dizendo:

    -Meu amor, eu não queria que as coisas tivessem acontecido dessa forma, por isso eu sumi de circulação. Eu abdiquei de tudo para deixa-la em paz e seguir tua vida, embora sempre tivesse algo que nos uniria para sempre.
    -Como então Carlo soube da verdade?
    _Ele recebeu uma carta anônima que continha o exame de DNA. E, seguida ligou pra mim e na fúria que dele se apossou pegou a estrada de madrugada rumando para o hotel em que eu me hospedara. E você sabe como aquela estrada é perigosa à noite.
    Nicolas dormia na cadeirinha no banco de trás quando Carlo perdeu a direção e... o resto você já sabe.

    Angella, levantou-se cambaleando e pediu que ela a levasse de volta até a casa dos Freeman.
    Na manhã seguinte, os dois se reencontraram e Angella já refeita do golpe, despediu-se dizendo:

    -Adeus Joe, adeus para sempre. Nada mais nos prende um ao outro... Nosso filho foi-se juntamente com Carlo. O que posso desejar na vida nesse momento? Talvez o lançamento do meu livro, que eu espero seja um grande sucesso.
    -Posso ir no coquetel de lançamento?
    _Se quiser será bem recebido e irá se lembrar da sombra do casario naquele fim de tarde.

    The End (Lu Cavichiioli)

    Autoras:

    Lu Cavichioli
    Graça Lacerda
    Marina Carla
    Silvana Haddad

    *obrigada pela parceria meninas"

    *link direto ao faceblog
    https://www.facebook.com/groups/faceblogs/


2 comentários:

  1. Valeu Jan... se gostei? Eu amei rs!

    Eu gosto demais de contos interativos e poder saber sobre a imaginação de cada pessoa. É muito legal enxergar através do olhos de quem participa.
    Obrigada pela divulgação

    bacios cara mia !!

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  2. Olá Jan,
    Cada um com sua percepção e imaginação. Criar é bom demais.
    Beijos mil e um ótimo final de semana.

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