quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O BALLET DA VIDA - conto da Jan, publicado no livro OI BICHO


Numa manhã ensolarada, ela nasce.
Mas não há tempo para apreciar o calor do sol, pois é preciso sobreviver. Sua família constitui-se de quase uma centena de tartarugas recém nascidas que, assim como ela, apoiam-se umas nas outras para escalar uma parede altíssima e chegar ao espaço que fica ao lado do mar, acima da terra e abaixo do céu, e dali correrem instintivamente tentando alcançar a água, que é seu verdadeiro lar.
Suas patas, que num futuro bem próximo funcionarão como nadadeiras, deixam marcas desajeitadas na areia.
Ela segue em frente como que obedecendo a uma coreografia instintiva, pois a música das ondas a atrai e ela sabe que a água é um lugar onde se atinge a plenitude da vida, apesar dos predadores.
Finalmente ela sente a água fresca que lava a areia de seu corpinho minúsculo e o impulsiona para o imenso berço da vida.
Vamos “registrar” nossa tartaruguinha e passemos a nos referir a ela como Tatinha.
Sabiamente e com uma boa dose de sorte, Tatinha escapou dos perigos naturais, e já crescida, nadava majestosa e tranquila quando, de repente, sentiu-se presa. Quanto mais se debatia, mais se enredava.
Assustada, ela exclamou:
—Por Netuno!
E comentou com alguns peixes que passavam ali perto:
—Vejam só o que me aconteceu. Eu sempre consegui escapar dos predadores naturais. Mas esta rede não é natural e, por isso, eu creio que o bicho-homem, o predador dos predadores esteve aqui, pois o homem é o único ser do reino animal com capacidade para deixar uma tartaruga completamente indefesa, prendendo-a em suas redes de pesca.
Mas, felizmente o homem pode optar pelo bem e algum ser humano dotado de bons sentimentos esteve naquele local, naquela hora e desenredou Tatinha. Ela se afastou dali nadando livremente e prometendo a si mesma que jamais se deixaria enredar novamente.
Um dia, Tatinha saiu do mar, sem perceber que seu grande senso de direção a levara de volta ao lugar onde nascera.
Olhou em volta e, lentamente, mas com segurança e precisão, cavou um grande buraco onde desovou uma centena de ovinhos que, algum tempo depois eclodiriam, tendo sido chocados pelo calor da grande quantidade de areia depositada sobre eles e compactada pelo corpo, agora gigantesco, de mamãe Tatinha.

Deixando seus futuros filhotinhos aos cuidados da Mãe Natureza, Tatinha voltou ao mar, onde se sentia mais confiante e menos vulnerável, antes que fosse encontrada por um dos seus piores predadores e acabasse numa panela...

3 comentários:

  1. Lindo conto e fala de uma realidade...Os piores pedradores, os homens,Pena!! Adorei! bjs, chica

    ResponderExcluir
  2. Jan, acabou de entrar lá no sementinhas! Beijos, obrigadão,chica

    http://sementinhasparacriancas.blogspot.com.br/2014/02/o-ballet-da-vida.html

    ResponderExcluir
  3. Jan,vi lá na Chica e vim correndo te parabenizar! Por coincidencia está saindo esse ano um livro meu sobre tartarugas tb!...rss...eu não sabia que tinha livro publicado e quero saber tudinho depois pra postar no meu Recanto! bjs,

    ResponderExcluir


Gostou ?????