sábado, 18 de janeiro de 2014

A SUSTENTÁVEL FRAGILIDADE DA CRIATURA - texto de Jan - publicado no livro OI, BICHO!




Exibindo sua brilhante plumagem, um beija flor chamado Tiquinho voava livre e feliz de flor em flor, alimentando-se de néctar.





Um dia, passeando por um jardim, Tiquinho viu um porta aberta e entrou. Entre as paredes da casa, sentiu-se preso. 
Quis sair.
Utilizando sua característica de parar em pleno voo, ele observou com atenção e sagacidade aquela espécie de caverna onde havia entrado e viu a luz do sol do outro lado. O sol era brilhante e parecia chamá-lo.
Acionando toda a força de suas pequenas, velozes e fortes asas, Tiquinho voou em direção à liberdade.
De repente, um forte estrondo interrompeu o voo de Tiquinho. A claridade que o atraíra, entrava por uma grande janela de vidro, que estava fechada!
Caído no chão, com o grande bico imóvel e com as asas esticadas formando um ângulo de noventa graus com o pequenino corpo imóvel, dor e medo se misturavam motivando os pensamentos que vagueavam desordenadamente dentro da pequena e dolorida cabeça de Tiquinho:
 —"Aaii! Não consigo voar! Não consigo sequer mexer meu pequeno corpo! Eu, que sempre me vangloriei de pertencer à única espécie animal que pode voar sem precisar de equipamento especial que a carregue. Posso também voar para trás, para cima e para baixo e agora estou aqui estatelado no chão, à mercê de predadores.
Predadores? Tomara que não venha aqui, agora, um daqueles de corpo esbelto, de andar rápido, silencioso, elegante, unhas afiadas, sutil e cruel... muito sutil e muito cruel!"

Então, tão exausto quanto dolorido, Tiquinho fechou os olhos e seu pensamento voou para quem ele nunca vira, de quem por vezes esquecia, mas cuja existência, poder e sapiência conhecia muito bem através da existência das flores tão belas e doces, colocadas na natureza à sua disposição e alcance.
—"Ei! Você que me criou! Olhe para baixo! Sei que não deveria ter entrado nesta caverna, mas entrei. Entrei porque... porque sou uma simples e tola criatura! Mas Você sabe disto e eu sei que posso contar com Você: valha-me!"

Passado um espaço de tempo que para Tiquinho pareceram horas intermináveis, uma mão forte sustentou com cuidado seu frágil corpinho ferido e o colocou num lugar onde ficasse a salvo dos predadores e, de quebra, onde ele pudesse sentir o sol e ouvir o canto de outros pássaros.

Tiquinho adormeceu tranquilo e sonhou que estava novamente voando e beijando as flores.


2 comentários:

  1. Olá, Boa noite, Jan
    bonita reflexão e belo conto, não necessáriamente nessa ordem!
    ...a primeira coisa a fazer para alcançarmos a vitória é termos a capacidade de reconhecer a nossa fragilidade, a capacidade de reconhecer nossos limites, ou seja, que nós não podemos tudo. Quando nos portamos movidos pela nossa autossuficiência, Deus realmente não pode fazer muito por nós, porque é barreira para que Ele entre em nossa caverna e nos tire dos apuros...
    Obrigado,bom descanso e belo dia de quarta feira, beijos!

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  2. Espero que Tiquinho possa voar novamente em breve..ainda bem que teve um amiguinho que o ajudou.

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