domingo, 18 de agosto de 2013

UM LIVRO ESPECIAL (texto em prosa - Jan)

Eu já havia escrito e publicado dois livros, quando passei a trabalhar com afinco no terceiro, cuja ideia central estava firmemente plantada no meu coração e cujo esqueleto estava elaborado na minha cabeça: o livro seria sobre deficientes e as deficiências mais conhecidas, assim como sobre as terapias mais conhecidas e utilizadas atualmente.
E, como se faz com um filho sonhado e idealizado, o livro ganhou um nome precocemente: NA PERIFERIA DA VIDA? .
E, tal como no nome de um filho querido e sonhado, eu, já naquela época, fazia questão de que o nome do livro fosse pronunciado corretamente, sem que o ponto de interrogação fosse ignorado e com a inflexão própria de uma pergunta, pois o livro havia de ser a resposta a um questionamento meu.
Insisti em obter relatos pessoais e profissionais... algumas pessoas colaboraram comigo, outras me disseram não com a coragem e a franqueza que eu admiro e respeito. Outras se comprometeram comigo e, no final, me ignoraram por completo... e doeu... mas eram as dores normais de que nos afligem durante a gestação.
Pesquisei muito, trabalhei muito, resisti a contratempos e dificuldades, mas depois de um longo período de "gestação"... o livro ficou pronto e eu idealizei a capa dele, como a mãe que idealiza o berço de um filho que vai nascer e preparei o evento do lançamento agitada e feliz como quem arruma a mala para ir para a maternidade.

Finalmente, o livro foi publicado... e eu me senti tão realizada e orgulhosa, como quem recebe visitas na maternidade e fiquei especialmente feliz, pois a "criança" se parecia muito comigo...
Nossos filhos têm vida própria e precisam correr, viver e lutar pelo mundo, quando "ganham corpo"... mas aquele era especial e requeria mais cuidado.
    O grito encontrou algum eco, um eco que me responde que nós deficientes físicos não estaremos na periferia da vida, se dermos o primeiro passo em direção à aceitação do fato de que somos excepcionalmente diferentes por fora, que temos necessidades especiais e que precisamos conhecer e permitir que sejam conhecidas e observadas as nossas limitações, para que seja conhecido o nosso potencial e nos seja franqueado interagir como nos for possível, e assim realizarmos o nosso sonho de liberdade e igualdade.
Obrigada a todos que me deram a mão durante a “gravidez”, na hora do “parto”, e que depois, comigo, seguraram o meu filho especial de papel para ensiná-lo a correr, viver e lutar!

O TEXTO ACIMA FOI ESCRITO EM 'HOMENAGEM' AO MEU 'FILHO ESPECIAL'.
ABAIXO, ALGUNS ESCLARECIMENTOS...
VOU POSTAR ALGUNS TEXTOS INTERESSANTES DO LIVRO NESTA BIBLIOTECA... EU PROMETO!
Depois do primeiro lançamento no Memorial de Curitiba, peguei aquele filho especial pela mão e o apresentei na Clínica de Fisioterapia da UTP; na Bienal Internacional do Livro (SP/2002), num evento organizado através de troca de e-mails e numa Feira literária em Porto Alegre/RS.
Minha maior ousadia virtual foi quando organizei um lançamento/apresentação do NA PERIFERIA... em Vitória/ES, onde só estive presente virtualmente (olha eu no computador). 

Foi assim: 
minha amiga presencial, Cássia, atendeu tudo de perto por mim;
minha amiga virtual, Leila, autografou cada exemplar comigo (os livros foram daqui com a minha impressão digital). O lançamento ocorreu conjuntamente com o do "PROJETO DESPERTAR" pois a Leila era (ainda será????) professora de informática, numa escola especial.

Naquele tempo (há 12 anos) eu não conhecia redes sociais e não sei se existiam... eu participava das chamadas LISTAS e foi assim que travei conhecimento com a Leila.



Vitória é uma cidade apaixonante... 

Conheci a Cássia, quando fazíamos concurso para Juiz do Trabalho.

hospedei-me na casa da Cássia antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente... foi tudo 'negociado' através da secretária da Comissão de Concurso.