quarta-feira, 8 de maio de 2013

A REDE (prosa Jan)

Ele ajeitou-se na rede...
Feliz como índio manuseado seu pequeno espelho...
Olhando além de si mesmo... do outro lado... da oca... da rua... do mundo.
E a rede ali.
O índio na rede, "espelhinho" na mão, olhando imagens pelo espelho: uma parede... uma janela... uma árvore... o mar... o mundo... um rosto... eu??? Outros rostos... vocês??? Mais rostos e vozes... nós???
E, entre nós, eu... Feio??? Bonito??? Apenas MIM.

E a rede caiu. E o espelho quebrou. E o índio tentou juntar os cacos, mas não conseguiu.
O índio ali no chão, todo enfeitado de penas, mas sem espelhinho, sem rede... sem mundo???

Um pequeno cão veio, abanando o rabinho, e deitou-se ao seu lado.
E o índio sorriu... e falou com seu amigo de estimação, enquanto acomodava-se ao seu lado, ali mesmo:
- Amanhã branco vem consertar NET!

Um comentário:

  1. Este texto impressionou e também nos joga na cara nosso preconceito, nosso "esquecimento" da inclusão digital que há em aldeias.
    Esta é só a prova concreta do quanto o preconceito é literalmente primitivo.

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