sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A GRANDE VIAGEM (texto em prosa - Jan)

O sol já ia alto quando o trem de ferro puxado pela locomotiva a vapor chegou à estação da pequena cidade e, ali parado, mais parecia um grande bicho de ferro resfolegando de cansaço.  
Mariazinha estava ansiosa e desembarcou segurando fortemente nas mãos dos pais.
Com a menina sempre posicionada entre o pai e a mãe, o trio familiar caminhou pela plataforma de concreto, atrás do homem uniformizado que esperara por eles, dependurado na porta lateral de um dos vagões de carga:
—“É aqui!”.
E foi abrindo a porta. O pai de Mariazinha ajudou a puxar a grande caixa com buraquinhos redondos nos lados, abriu-a e chamou:
—“Baronesa!”.
A grande cadela saiu da caixa e respirou entre aliviada, assustada e cansada:
       —Ufa! Ar puro! Onde estou???? Que calor!
De repente ouviu-se uma voz autoritária:
—“Venha cá Mariazinha!”.
Tendo soltado da mão da mãe, os braços da menina Mariazinha já envolviam o pescoço da cadela num forte abraço.
Ambas contavam pouco mais de dois anos de idade, mas Mariazinha ainda era pouco mais do que um bebê, ao passo que Baronesa já era adulta, o que fazia com que a grande cadela parecesse ainda maior aos olhos da menina e de quem mais visse a cena.
Ao desfazer o abraço, Mariazinha levou a mão à frente do próprio nariz, num gesto significativo, falando:
—“Iiihhh! Fidida!”
A mãe de Mariazinha interveio, dizendo:
—“Logo que nos acomodarmos na casa nova, ela vai tomar um bom banho.”
Então, o trio iniciou nova caminhada, desta vez seguidos de perto pela “fidida” e alegre cadela, que dizia a si mesma:
       —Ainda bem que o meu pessoal está comigo.
Em seguida, Baronesa assustou-se ao ver o “pessoal” acomodar-se:
       —Será que vão me deixar aqui sozinha????
A grande cachorra sentiu-se aliviada e agradecida quando foi autorizada a entrar também. Acomodou-se na pequena carroceria ao lado do dono, firmemente segura pela coleira, numa posição privilegiada de onde podia ver Mariazinha sentada entre a mãe e o motorista e, ao mesmo tempo, a paisagem do caminho.
Sentiu prazer no ar a entrar livremente por suas narinas à medida que o veículo avançava por uma estrada de terra que levava para... isso pouco importava para Baronesa, que se sentia segura com sua família humana.
Finalmente chegaram ao destino. Havia bastante espaço e Baronesa foi acomodada em lugar apropriado. Depois do banho, sacudiu as gotas d’água que escorriam por seu corpanzil e dormiu...
Ao acordar, espreguiçou-se e levantou sacudindo tudo o que ficara para trás. Então sentiu-se pronta para viver cada dia, como se lhe apresentasse...
Logo depois, foi espiar a porta de entrada da nova casa do seu pessoal. Baronesa já aprendera que ali era território dos humanos e o respeita assim como seu território é respeitado, mas está curiosa.
Mariazinha veio até ela, acariciou a cabeça da cachorra, depois bateu o pé no chão e falou, usando toda a energia disponível em uma criança pequena:
—“Ati não!!! Fola Baiesa!”
Obediente, Baronesa se afastou e seu faro apurado reconheceu o cheiro familiar... a cara dela escondia um risinho que oscilava entre irônico e compreensivo:
—Ah! Os humanos tem um cheiro esquisito!

2 comentários:

  1. Que leveza de texto! Deu para visualizar a Baronesa, feliz, sacudindo e espirrando a água do banho.
    Uma mudança traz tantos sentimentos para nós humanos, gostei de sentir o lado do fiel amigo do homem!
    Beijo

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  2. Uma gostosura acompanhar a história das duas:Mariazinha e Baronesa vista pela ótica amorosa da menina e da cadela.Forma momentos de puro deleite. Jan.
    Bom domingo.Bjos,
    Calu

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